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Azulejo Português

Para falar da história do azulejo português temos de remeter-nos para a sua origem e para a influência da decoração ornamental mudéjar (ou arte hispano-mourisca, que incorpora influências, elementos ou materiais e técnicas de estilo ibero-muçulmano) que teve forte reflexo na cultura do azulejo português.

As primeiras utilizações conhecidas do azulejo em Portugal datam do início do século XVI, tendo sido usados como revestimento monumental das paredes, e realizadas com azulejos hispano-mouriscos, importados de Sevilha.

O azulejo “Chegou a Portugal no ano de 1498, pelo Rei D. Manuel I, numa das suas viagens a Espanha. Portugal aprendeu o método de fabrico e de pintura, e o azulejo português tornou-se das marcas de expressão mais fortes da sua cultura.” (In https://www.natgeo.pt/historia/2020/02/esta-e-historia-por-tras-do-azulejo-portugues).

A partir da segunda metade do século XVI, com a fixação de ceramistas flamengos em Lisboa, iniciou-se a produção portuguesa.

No século XVI a estética maneirista da Flandres (refinamento e pureza dos materiais) foi utilizada por pintores de azulejo portugueses que realizaram composições monumentais. Francisco e Marçal de Matos foram dois Mestres Pintores, da época, com formação erudita em pintura azulejar. 

Com os descobrimentos, e com o contacto com a porcelana chinesa, observa-se uma clara influência oriental na azulejaria (fauna e flora exóticas, figurações da espiritualidade oriental) das “Chitas” - exóticos tecidos estampados oriundos da Índia e que em Portugal se usaram como frontais de altar. E cujo rico cromatismo que oscila entre o amarelo, o azul, o castanho alaranjado, o verde-azeitona.

O século XVII assiste ao nascimento da azulejaria figurativa por encomenda, concebidos consoante o espaço. Encomendas da Igreja com temática sagrado, a encomendas da nobreza com temáticas profanas (civis) – sendo sinais de prestígio e de riqueza.

Com o aumento da circulação das porcelanas chinesas, os ceramistas dos Países Baixos adoptam o azul e branco resultando numa melhoria da qualidade das representações figurativas. Gabriel del Barco é o mestre pintor com formação erudita que foi o percursor em Portugal do Ciclo dos Grandes Mestres.

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A primeira metade do século XVIII é o período áureo da azulejaria portuguesa — o Ciclo dos Mestres — os pintores aplicaram às suas obras espontaneidade e criatividade nas composições, ajustando-as aos espaços arquitectónicos.

No reinado de D. João V (1706-1750), os azulejos foram fortemente  influenciados  da Talha Dourada, numa tendência para que superfícies inteiras de parede fossem revestidas (uma espécie de “horror ao vazio”), criando um impacto de característica barroca. O azulejo português é largamente usado nas igrejas, palácios e casas burguesas, no interior, no exterior e nos jardins.

No período Rocaille recuperou-se a policromia (amarelo sugere o ouro) com técnicas industriais e artesanais. Surgem as cenas de género e de ornamentação rococó – ornamentação exuberante e inspirada na natureza.

Segunda metade do século XVIII, com a Azulejaria pombalina surgem os painéis historiados, as composições ornamentais e ao fomento da padronagem. Em 1767 foi fundada a Fábrica Fábrica do Rato.

“O azulejo conta com 500 anos de produção nacional. Na segunda metade do século XIX alcança mais visibilidade. O azulejo foi utilizado para cobrir milhares de fachadas, sendo produzido por fábricas de Lisboa e das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, como Massarelos e a Fábrica de Cerâmica das Devesas.


No Norte, os relevos pronunciados, o volume, o contraste de luz e sombra são características presentes. Por Lisboa, a preferência ficou-se pelos padrões lisos de memória antiga e uma ostensiva aplicação exterior nas fachadas.
No Porto, no século XX, o pintor Júlio Resende construiu desde 1958, composições figurativas em azulejo e placas cerâmicas, atingindo o expoente do seu trabalho com Ribeira Negra, em 1985. Nesta época surgem os artistas Rafael Bordalo Pinheiro e Jorge Barradas, impulsionadores da renovação no domínio da cerâmica e do azulejo.
Ainda em meados do século, Maria Keil realiza um notável trabalho para as estações iniciais do metro de Lisboa, juntando-se a Júlio Resende (“Ribeira Negra” – 1984), Júlio Pomar, Sá Nogueira, Carlos Botelho, João Abel Manta, Eduardo Nery, entre outros, como grandes referências da história e cultura do azulejo português.” (in Esta é a História por Trás do Azulejo Português | National Geographic (natgeo.pt).


É possível viajar por toda a história do azulejo português, acompanhando a sua evolução, no Museu Nacional do Azulejo, criado em 1980 na cidade de Lisboa.

O azulejo português é um dos motivos que colocam Portugal em destaque nos roteiros de qualquer viajante. Na verdade, Portugal é considerado a capital mundial do azulejo.

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Alguns locais onde pode observar painéis de azulejo português:

  • Estação de São Bento, Porto;

  • Igreja de Santo Ildefonso, Porto;

  • Igreja dos Congregados, Porto;

  • Capela das Almas, Porto;

  • Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, Lamego;

  • Igreja Matriz de Santa Maria de Válega, Ovar;

  • Convento de Santa Cruz do Buçaco, Buçaco;

  • Paço das Escolas, Universidade de Coimbra;

  • Sé Velha, Coimbra;

  • Igreja de Santa Cruz, Coimbra;

  • Convento de Cristo, Tomar;

  • Igreja de São Quintino, Sobral de Monte Agraço;

  • Quinta da Bacalhoa, Lisboa;

  • Igreja de São Roque, Lisboa;

  • Convento da Graça, Lisboa;

  • Convento de São Vicente de Fora, Lisboa;

  • Palácio dos Marqueses de Fronteira, Lisboa;

  • Palácio Nacional de Queluz, Lisboa;

  • Casa de Ferreira das Tabuletas, Lisboa;

  • Palácio da Mitra, Azeitão.