Xàtiva – Cidade das Mil Fontes

A cidade de Xàtiva está localizada no sul da província de Valência e é a capital da região de La Costera. A cidade está localizada nas encostas da Sierra del Castillo numa posição estratégica importante que permitia o controle das rotas comerciais e militares nos tempos antigos. Esta cidade teve sempre uma notável atividade produtiva e comercial, tendo a produção de papel e fabrico de tecidos em linho sido de extrema e decisiva importância no passado.

Muito provavelmente no século V a.C. já existia um núcleo urbano chamado Sait, que mais tarde se tornou a capital de Contestania. Nessa altura, o seu comércio tinha-se consolidado, tinha a sua própria moeda e os tecidos de linho eram considerados objectos de luxo e distinção em Roma. Na época romana, tinha o estatuto de município sob a lei latina e o seu nome era Saetabis Augusta.

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Após a conquista muçulmana em 711, a cidade foi rebatizada Medina Xátiba. Os muçulmanos realizaram importantes melhorias na cidade, desde a fortificação dos castelos até à construção de canais que abasteciam a medina e os subúrbios com água potável corrente, bem como a instalação de sistemas de irrigação para aumentar a área de cultivo. Como resultado destas melhorias a cidade cresceu em termos urbanos, afectando o comércio, a administração, a justiça, a economia, a religião e a saúde.

Xàtiva teve a primeira fábrica de papel da Europa, estava-se então no século XI.

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Em 1244 James I conquistou a cidade aos muçulmanos, expulsando-os para os subúrbios e permitindo que o repovoamento catalão e aragonês ocupasse a cidade muralhada. Após a morte de Carlos II, o povo simples optou pelo lado austríaco, enquanto os nobres e as ordens religiosas eram mais a favor de Felipe d'Anjou.

Em 1250 foi-lhe concedido o privilégio real para poder fazer Feira.

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Em 1347, o Rei Pedro IV concedeu-lhe o título de Cidade, pela sua lealdade na Guerra da União. 

A cidade foi o local de nascimento de dois papas, um no século XIV e outro no século XV – Calisto III e Alexandre VI –, os papas Borgia, personagens de reconhecida importância na política internacional do seu tempo, assim como Francisco de Paula Martí, inventor da estenografia e da caneta-tinteiro, entre outros.

Em 1707, o exército Bourbon chegou à cidade e os seus habitantes refugiaram-se dentro das muralhas da cidade. Por resistir à entrada das tropas na cidade, Felipe V ordenou que Xàtiva fosse incendiada e demitida, os seus habitantes expulsos, e o seu nome alterado para "Colonia Nueva de San Phelipe", como castigo e para servir de exemplo. Por esta razão, e como sinal de desaprovação, a cidade manteve o retrato de Filipe V de cabeça para baixo no Museu de l'Almodí (Museu de Belas Artes).

A relação de Xàtiva com a água é extraordinária, sendo conhecida como a Cidade das Mil Fontes. O número pode parecer exorbitante, mas no século XVII existiam mais de novecentas fontes, algo invulgar e que tornou a cidade famosa. A "Rota da Água" é uma forma interessante de aprender sobre a história da cidade através da sua estreita relação com o elemento essencial da vida.

Xàtiva foi declarado Sítio Histórico-Artístico em 1982, devido à riqueza monumental da sua cidade antiga em geral, e ao significado particular dos seus monumentos mais emblemáticos, também declarados Bens de Interesse Cultural.

No presente, Xàtiva não é apenas história, é também presente e futuro.

Nesta cidade há um profundo respeito pelo seu passado e história, mas permanece uma comunidade cosmopolita com uma rica oferta cultural, comercial e de entretenimento durante todo o ano.

A visita a Xàtiva é um desafio constante cheio de emoções e experiências.