Francisco de Paula Martí

Francisco José Buenaventura de Paula Martí y Mora (nasceu em Xàtiva, (então conhecida como "Colonia Nueva de San Felipe", a 22 de Abril de 1761 – faleceu em Lisboa a 8 de Julho de 1827), numa familia de posses, foi gravador (gravurista), criptógrafo, dramaturgo e estenógrafo espanhol.

 

Estudou Humanidades em Játiva e depois foi para Valência para estudar Belas Artes. Aos 24 anos de idade ganhou um prémio de gravura na Academia Real de Belas Artes de San Carlos em Valência e começou a praticar a sua profissão como gravador em gravura doce.

 

 Mais tarde instalou-se em Madrid, onde se dedicou ao estudo da estenografia, fundando a Escola Real de Estenografia, que dirigiu durante vinte e cinco anos. Em 1799 publicou “Stenografía, o arte de escribir abreviado” (Estenografia, ou a Arte de escrever abreviado), um livro que ele próprio reelaborou mais tarde como vários outros seus e adaptou para catalão e português, bem como para espanhol.

Publicou o seu primeiro livro sobre estenografia espanhola propriamente dita em Madrid em 1803, com o título “Taquigrafía castellana”, ou a arte de escrever com tanta rapidez como se fala e com a mesma clareza da escrita comum, tendo-se produzido numerosas edições, tanto em vida como postumamente, pelos seus discípulos.

 

Em 1806 criou a primeira agenda de bolso em Espanha, a que chamou “Compendio del año 1807” e um livro de memórias; a invenção foi reimpressa até pelo menos 1825 e as suas páginas de 7 x 11,5 cm continham informações sobre sorteios, férias e indulgências plenárias e informações tais como habitantes de províncias ou distância entre cidades.

Em 1808, publicou “Poligrafía; ó Arte de escribir en cifra de diferentes modos”, uma obra que era basicamente um tratado sobre criptografia.

De ideologia liberal, foi gravador na Real Tipografia de Cádis de 1811 e membro da Academia Real de Belas Artes de San Fernando; durante a Guerra da Independência (1808-1814) e durante o Triénio Liberal (1820-1823) compôs várias peças satíricas nas quais atacou os inimigos da Constituição de 1812.

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Foi professor de estenografia, membro da direcção do Real Colégio para Surdos e Mudos e presidente da classe de Artes e Ofícios da Sociedade Económica de Madrid a partir de 1817; a partir de 1821 foi também o seu contabilista. 

Francisco de Paula Martí foi um dos poucos retratistas espanhóis a produzir retratos utilizando a técnica fisiográfica. A fisionomia - um processo semi-mecânico derivado da silhueta, ao qual se pode atribuir um certo carácter pré-fotográfico - tinha sido inventada em 1786 por Gilles-Louis Chrètien e estava no seu auge no final do século XVIII e início do século XIX.

Em 1961, em sua homenagem, foi erguido, no Parque Retiro em Madrid, um busto (obra dos irmãos Pedro (arquitecto) e Enrique Cuartero Huerta, escultor, autor do busto) em que se lê: "A Francisco de Paula Martí Mora, inventor da taquigrafia espanhola. 1761-1827", e na frente um texto em latim: "Currant verba licet, manus est velocior illis, nondum lingua suum dextra peregit opus". “Embora as palavras corram rapidamente, a mão é mais rápida do que elas; a língua ainda não o fez, e a mão já completou o seu trabalho.” (Tradução Livre)